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Fortaleza de 3.200 anos é encontrada no sul de Israel

Em Setembro de 2020, Arqueólogos revelaram a descoberta de uma Fortaleza da Era dos Juízes Bíblicos no território da Shephelah central de Israel, perto do Kibutz Galon, com vista para o Vale Guvrin.

A maior parte da estrutura foi destruída há muito tempo, mas o contorno básico dela está bem preservado e facilmente reconhecível.

A fortaleza de Galon media 18 metros x 18 metros e incluía quatro torres, uma em cada canto. A fortaleza do posto avançado era dividida ao meio, com uma série de quatro câmaras em ambos os lados no estilo de uma “casa de governador” Egípcia e um pátio pavimentado no meio, forrado com colunas. Uma enorme pedra de soleira de 3 toneladas foi descoberta na entrada do edifício.

Numerosos pequenos achados foram descobertos no edifício, incluindo itens ritualísticos e centenas de vasos de cerâmica. Os Arqueólogos datam a construção da fortaleza em cerca de 1200 a.C. e, com base na natureza do edifício e nas pequenas descobertas, foi atribuída aos Cananeus, aliados do Egípcios.

Representação artística da Fortaleza – Créditos: Itamar Weissbein.

A Fortaleza era do Período do Êxodo?

No comunicado à imprensa, os escavadores afirmam que a Fortaleza data da época da entrada Israelita em Canaã, que nessa época, seria por volta de 1200 a.C., os Israelitas começaram a aparecer no leste e os Filisteus no oeste; os Cananeus, governados pelo Egito durante esse período, eram um poder em declínio. Eles especulam que a razão para a construção desta Fortaleza do Século XII a.C. era para lidar com esta “nova situação geopolítica.” Mas será que foi realmente esse o caso?

Na verdade, existem duas teorias principais quando se trata da data do Êxodo e da entrada dos Israelitas em Canaã. Uma delas combina esses eventos com o Século XV a.C. (esta teoria é baseada somente em informações do relato Bíblico).

A segunda, uma teoria minimalista, assume uma posição do Século XIII ao XII a.C., uma chegada Israelita em Canaã cerca de 200 anos depois. Esta teoria é baseada em material de destruição descoberto e datado em cidades por toda a região, uma mudança inicial na cultura material e uma leitura reconhecidamente seletiva da Bíblia.

No entanto, nenhuma das evidências concretas até agora descobertas nega o Êxodo Bíblico do Século XV a.C. Na verdade, ele serve para apoiá-lo, incluindo a descoberta da Fortaleza de Galon.

A Fortaleza de Galon, descoberto na orla da Floresta Guvrin – Créditos: Saar Ganor, Autoridade de Antiguidades de Israel.

Uma conquista Bíblica de Canaã no Século XV a.C. é facilmente identificada por várias passagens Bíblicas. 1 Reis 6:1 diz que o templo de Salomão foi construído 480 anos após o Êxodo.

“Quatrocentos e oitenta anos depois que os israelitas saíram do Egito, no quarto ano do reinado de Salomão em Israel, no mês de zive, o segundo mês, ele começou a construir o templo do Senhor.” (NVI) – 1 Reis 6:1

A construção do Templo é amplamente aceita em 967 a.C. (480 anos antes nos dá um Êxodo em 1447 a.C., e em 1407 a.C. seria a entrada na Terra Prometida, após 40 anos de peregrinação).

Da mesma forma, o Juiz Jefté (cerca de 1100 a.C.) enviou uma carta aos Amonitas, declarando que os Israelitas tinham, até aquele momento, estado na terra por 300 anos.

“Durante trezentos anos Israel ocupou Hesbom, Aroer, os povoados ao redor e todas as cidades às margens do Arnom. Por que não os reconquistaste todo esse tempo?” (NVI) – Juízes 11:26

Além disso, as genealogias Bíblicas (como 1 Crônicas 6) são muito longas para um período de Juízes de 150 anos, mas se encaixam perfeitamente com a chegada do final do Século XV a.C. à Terra Prometida e o período de Juízes de 350 anos subsequentes.

Muito do debate gira em torno da destruição. Por que os Cananeus ainda estavam na terra durante o Século XII a.C.? Por que uma fortaleza Cananéia estava instalada e funcionando? E as camadas de destruição dos Séculos XIII e XII a.C.?

Por que certos Judeus e Árabes hoje contêm uma ligação genética com os cananeus (de acordo com o site Haaretz), quando a Bíblia afirma que Josué e seus homens os extinguiram completamente?

Mas a Bíblia não diz isso. Na verdade, a Bíblia se esforça para listar várias cidades Cananéias que foram deixadas na terra, que Israel não conseguiu conquistar antes e durante o tempo dos Juízes (leia Juízes 1).

Na verdade, a Bíblia não descreve os Israelitas através de Canaã destruindo cidades. Em vez disso, a Bíblia declara que os israelitas simplesmente se mudariam para as cidades Cananéias existentes:

“O Senhor, o seu Deus, os conduzirá à terra que jurou aos seus antepassados, Abraão, Isaque e Jacó, que daria a vocês, terra com grandes e boas cidades que vocês não construíram, com casas cheias de tudo que há de melhor, de coisas que vocês não produziram, com cisternas que vocês não cavaram, com vinhas e oliveiras que não plantaram. Quando isso acontecer, e vocês comerem e ficarem satisfeitos.” (NVI) – Deuteronômio 6:10-11

A Bíblia menciona apenas três cidades específicas como sendo destruídas pelos Israelitas durante sua entrada na Terra Prometida, e certas evidências foram encontradas dessa destruição, casando com uma data de Êxodo anterior. Em vez de grandes cercos de cidades, a Bíblia descreve inúmeras cenas de batalhas terrestres com os Cananeus.

E este avanço Israelita em massa através da terra e conquista de território, do final do Século XV a.C. ao início do Século XIV a.C., é confirmado pela Arqueologia.

As Cartas de Amarna, do Século XIV a.C., escritas por desesperados Reis-prefeitos Cananeus ao Faraó Egípcio, afirmam de forma frenética e repetida que “todas as terras do Faraó” estão “perdidas” para um grupo invasor de nômades que eles chamam de Habiru. A Carta EA286 afirma:

Uma Carta de Amarna – Crédito: Reese Zoellner/Watch Jerusalem | CM Dixon/Print Collector/Getty Images.

“Que o rei [o Faraó do Egito] cuide de sua terra! Todas as terras do rei, meu senhor, desertaram…. Perdidos estão todos os prefeitos; não resta um prefeito para o rei, meu senhor. O rei não tem terras. Esse Habiru saqueou todas as terras do rei. Se houver arqueiros este ano, as terras do rei, meu senhor, permanecerão…. (De Abdi-Heba, prefeito cananeu de Jerusalém)”

E inscrições como a Estela de Merneptah (1207 a.C.) mencionando Israel pelo nome, provam que a nação de Israel já era uma nação bem estabelecida por pelo menos o Século XIII a.C.

Então, o que dizer da Fortaleza de Galon?

Infelizmente, ainda não temos informações suficientes para identificar a fortaleza de Galon com uma localização Bíblica conhecida. Com base em sua posição geográfica, a Fortaleza estaria no território alocado da Tribo de Dã ou de Judá (em algum lugar ao longo da fronteira).

Como tal, poderia constituir uma Fortaleza territorial Cananeu-Amorreia que a tribo de Dã permitiu que permanecesse (Juízes 1:34-36):

“Os amorreus confinaram a tribo de Dã à serra central, não permitindo que descessem ao vale. E os amorreus igualmente estavam decididos a resistir no monte Heres, em Aijalom e em Saalbim, mas, quando as tribos de José ficaram mais poderosas, eles também foram submetidos a trabalhos forçados. A fronteira dos amorreus ia da subida de Acrabim até Selá, e mais adiante.” (NVI) Juízes 1:34-36

Ou talvez, parte do território Cananeu ao lado da terra dos Filisteus que os homens de Judá não conseguiram derrubar (versículo 19).

“O Senhor estava com os homens de Judá. Eles ocuparam a serra central, mas não conseguiram expulsar os habitantes dos vales, pois estes possuíam carros de guerra feitos de ferro.” (NVI) – Juízes 1:19

O que sabemos é que os Cananeus continuaram sendo uma força a ser considerada, até o tempo dos Juízes. Uma das grandes opressões Israelitas durante este período foi nas mãos de um poderoso Rei Cananeu, chamado Jabim (Juízes 4-5).

“Assim o Senhor os entregou nas mãos de Jabim, rei de Canaã, que reinava em Hazor” (NVI) Juízes 4:2

E Deus declarou que usaria os Cananeus que permaneceram na terra como punição, “para ensinar [Israel] a guerra”.

“São estas as nações que o Senhor deixou para pôr à prova todos os israelitas que não tinham visto nenhuma das guerras em Canaã (fez isso apenas para treinar na guerra os descendentes dos israelitas, pois não tinham tido experiência anterior de combate).” (NVI) Juízes 3:1-2

Veja no mapa a região de Galon em vermelho – Créditos: Kordas/Watch Jerusalem.

Em algum momento durante o Século XII a.C., a fortaleza de Galon foi abandonada. Os escavadores especulam que isso pode ter sido o resultado da forte pressão sobre os Cananeus por causa da imigração dos Filisteus para as cidades próximas, como Gate (veja no mapa escrito como “Gath), bem próximo à Galon).

Isso também foi na época de Sansão, onde a Bíblia observa que os Filisteus começaram a dominar a região costeira. Como tal, em vez de os Israelitas expulsarem os Cananeus desse território, podem ter sido os Filisteus que acabaram fazendo isso.

A fortaleza de Galon foi escavada por uma equipe especial, guiada pela Autoridade de Antiguidades de Israel, por alunos de uma escola em Berseba, vários voluntários e jovens participando de um programa preparatório pré-militar. Este programa faz parte de uma iniciação de verão para ajudar os jovens a perceberem a História pela qual lutam.

Talvez com a escavação desta cidade haja um pouco mais de uma lição militar para esses adolescentes do pré-recrutamento: as consequências de não cuidar totalmente de um problema, de tolerar elementos inimigos agressivos na terra, apesar das instruções de Deus.

Trabalhadores descobrindo a Fortaleza de Galon – Créditos: Saar Ganor, Autoridade de Antiguidades de Israel.

Matéria traduzida de “Canaanite Judges-Era Fortress Discovered at Galon”, por Watch Jerusalem (Data: 19/03/2021)

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