2021,  Achados Arqueológicos,  Notícias

Fragmentos da Bíblia e outros Artefatos são encontrados na Caverna do Horror, no Mar Morto

Os arqueólogos Hagay Hamer e Oriah Amichai peneirando Achados na entrada da Caverna do Horror – Créditos: Eitan Klein, Autoridade de Antiguidades de Israel.

Nesta incrível descoberta que surpreendeu a todos nos últimos dias, dezenas de fragmentos de pergaminhos Bíblicos de 2.000 anos foram escavados em cavernas do Deserto da Judéia durante uma ousada operação de resgate.

Sendo os primeiros achados em 60 anos, a maioria dos fragmentos de pergaminho recém-descobertos são traduções Gregas dos Livros de Zacarias e Naum, do Livro dos Doze Profetas Menores, e são escritos por duas mãos de escribas. Apenas o nome de Deus está escrito em Hebraico nos textos.

Os fragmentos dos Profetas foram identificados como vindos de um pergaminho maior, encontrado na década de 1950, na mesma “Caverna do Horror” em Nahal Hever, que fica cerca de 80 metros abaixo do topo de um penhasco.

De acordo com um comunicado à imprensa da Autoridade de Antiguidades de Israel, a caverna é “ladeada por desfiladeiros e só pode ser alcançada descendo precariamente de rapel pelo penhasco.”

Descendo de rapel para a Caverna das Caveiras – Créditos: Yoli Schwartz, Autoridade de Antiguidades de Israel.

Junto com os “novos” fragmentos de pergaminhos Bíblicos dos Livros dos Profetas Menores, a equipe escavou uma enorme cesta perfeitamente preservada de 10.500 anos – a cesta completa mais antiga do mundo – e um esqueleto mumificado datado de 6.000 anos de uma criança, enfiada em seu cobertor para um “último sono”.

Desde 2017, a Autoridade de Antiguidades de Israel (AAI) liderou uma operação de resgate sem precedentes para resgatar artefatos antigos de cavernas em todo o Deserto da Judéia contra o saque desenfreado que ocorreu na área desde a muito anunciada – e lucrativa – descoberta dos Manuscritos do Mar Morto por pastores beduínos há 70 anos atrás. Na terça-feira (16) de manhã, uma amostra das descobertas incríveis foi revelada pela primeira vez!

Israel Hasson, diretor da AAI e líder da ampla operação de resgate, disse que “A equipe do deserto mostrou coragem excepcional, dedicação e devoção ao propósito, descendo de rapel até cavernas localizadas entre o céu e a terra, cavando e vasculhando através delas, suportando poeira espessa e sufocante e retornando com presentes de valor incomensurável para a humanidade”.

Israel Hasson, diretor-geral da Autoridade de Antiguidades de Israel, na operação no deserto – Créditos: Autoridade de Antiguidades de Israel.

“Os fragmentos de pergaminho recém-descobertos são um alerta para o estado. Recursos devem ser alocados para a conclusão desta operação historicamente importante. Devemos garantir que recuperamos todas as informações que ainda não foram descobertos nas cavernas antes que os ladrões o façam. Algumas coisas não têm preço”, disse Hasson.

Em uma tentativa otimista de estar um passo à frente dos saqueadores, o projeto nacional interdepartamental foi lançado em 2017 para pesquisar as cavernas do Deserto da Judéia.

Escavações na caverna Muraba’at – Créditos: Yoli Schwartz, Autoridade de Antiguidades de Israel.

Algumas cavernas promissoras foram posteriormente escavadas em alguns locais, incluindo a Caverna do Horror (onde mais de 40 esqueletos foram descobertos até agora) e a Caverna das Caveiras. Cerca de 20 outras cavernas promissoras poderiam ser escavadas no próximo estágio da operação, desde que o orçamento fosse alocado.

A operação foi realizada pela AAI, em cooperação com o Administrador de Equipe do Departamento de Arqueologia da Administração Civil na Judéia e Samaria, e financiado pelo Ministério de Negócios e Patrimônio de Jerusalém.

Cerca de metade do Deserto da Judéia, incluindo a fonte original da maioria dos Manuscritos do Mar Morto em Qumran, está localizada na Cisjordânia, além da Linha Verde.

Escavações em Qumran – Créditos: Shai Halevi, Autoridade de Antiguidades de Israel.

Amir Ganor, chefe da Unidade de Prevenção de Roubo da AAI, disse que “Por anos nós perseguimos saqueadores de antiguidades. Finalmente decidimos prevenir os ladrões e tentar alcançar os artefatos antes que eles fossem removidos do solo e das cavernas.”

Até agora, cerca de 80 quilômetros e 500 cavernas foram sistematicamente pesquisados por três equipes lideradas pelos arqueólogos da AAI, sendo eles: Oriah Amichai, Hagay Hamer e Haim Cohen.

Amir Ganor estima que cerca de 25% do Deserto da Judéia ainda não foi pesquisado. Usando drones e equipamentos de rapel e alpinismo de alta tecnologia, os Arqueólogos e uma equipe de voluntários de academias pré-militares têm conseguido acessar muitas cavernas até então “inacessíveis”, algumas das quais não eram pisadas por um ser humano há quase dois milênios.

Os pergaminhos Bíblicos estão entre os destaques dos Artefatos recém-escavados, mas não são de forma alguma as únicas descobertas extraordinárias. Leia agora um pouco sobre alguns dos Achados:

“Novos Pergaminhos Bíblicos”

Abrindo uma seção de pergaminhos no laboratório de conservação da Autoridade de Antiguidades de Israel – Créditos: Shai Halevi, Autoridade de Antiguidades de Israel.

Saqueadores e arqueólogos têm vasculhado o deserto da Judéia desde a descoberta dos Manuscritos do Mar Morto, cerca de 70 anos atrás. Além de dois rolos de prata gravados com a Bênção Sacerdotal Bíblica (do final do século 7 ao início do século 6 a.C.) descobertos em Ketef Hinom em Jerusalém, os Manuscritos do Mar Morto são considerados as primeiras cópias conhecidas dos Livros Bíblicos e vão de cerca de 400 a.C. a 300 d.C.

Os últimos achados identificados, duas dúzias de fragmentos de pergaminhos Bíblicos de 2.000 anos dos Livros de Zacarias e Naum, foram encontrados aglomerados e enrolados, na Caverna do Horror.

A conservação e o estudo dos fragmentos foram conduzidos pela Unidade de Manuscritos do Mar Morto da AAI, por Tanya Bitler, Dra. Oren Ableman e Beatriz Riestra.

A equipe reconstruiu até agora 11 linhas do texto Grego que foi traduzido de Zacarias 8:16–17, bem como versículos de Naum 1:5–6. Eles juntam mais 9 fragmentos existentes que foram descobertos por Yochanan Aharoni, que pesquisou pela primeira vez a Caverna dos Horrores em 1953.

Vamos relembrar o que dizem estes textos Bíblicos?

“Eis o que devem fazer: Falem somente a verdade uns com os outros, e julguem retamente em seus tribunais; não planejem no íntimo o mal contra o seu próximo, e não queiram jurar com falsidade. Porque eu odeio todas essas coisas”, declara o Senhor.” (NVI)

Zacarias 8:16-17

“Quando ele se aproxima os montes tremem e as colinas se derretem. A terra se agita na sua presença, o mundo e todos os que nele vivem. Quem pode resistir à sua indignação? Quem pode suportar o despertar de sua ira? O seu furor se derrama como fogo, e as rochas se despedaçam diante dele.” (NVI)

Naum 1:5-6

Nos novos fragmentos, assim como no rolo de tradução Grego descoberto por Yochanan Aharoni, apenas o nome de Deus aparece em Hebraico. Está na escrita Paleo-Hebraica usada durante o período do Primeiro Templo, bem como por alguns adeptos da revolta de Bar Kochba (132-136 d.C.), incluído em moedas, e na comunidade de Qumran.

Seções do pergaminho descobertas no Deserto da Judéia após conservação – Créditos: Shai Halevi, Autoridade de Antiguidades de Israel.

Entre os “frutos acadêmicos” já nascidos da nova descoberta, está a constatação de que a “nova” tradução Grega é diferente dos tradicionais textos Massoréticos.

“Essas diferenças podem nos dizer muito a respeito da transmissão do texto bíblico até os dias da Revolta de Bar Kochba, documentando as mudanças que ocorreram ao longo do tempo até chegar até nós na versão atual”, disse a AAI.

Seções do pergaminho do Livro dos Doze Profetas Menores descobertos na expedição ao Deserto da Judéia antes de sua conservação – Créditos: Shai Halevi, Autoridade de Antiguidades de Israel.

A Cesta mais Antiga do Mundo

A Tok&Stok faria bem em observar o artesanato mostrado em uma impressionante cesta tecida, datada de cerca de 10.500 anos atrás (cerca de 1.000 anos antes dos primeiros vasos de cerâmica conhecidos), que foi colocada pela AAI como “atualmente incomparável no mundo inteiro.”

A cesta encontrada na Caverna Muraba’at – Créditos: Yoli Schwartz, Autoridade de Antiguidades de Israel.

O enorme recipiente de 90-100 litros de volume foi descoberto por jovens voluntários da academia de liderança pré-militar de Nofei Prat.

A emocionante descoberta ocorreu em uma das cavernas Muraba’at, que anteriormente ofereceram esconderijos de papéis da Era Romana e restos da Revolta de Bar Kochba, que são encontrados na Reserva Nahal Darga.

A cesta está sendo estudada pela Dra. Naama Sukenik e pelo Dr. Ianir Milevski da AAI e foi datada com carbono-14, pela Prof. Elisabetta Boaretto da Unidade de Arqueologia Científica do Instituto de Ciência Weizmann.

Os Arqueólogos Chaim Cohen e a Dra. Naama Sukenik com a cesta mais antiga do mundo, encontrada na caverna Muraba’at – Créditos: Yaniv Berman, Autoridade de Antiguidades de Israel.

Devido ao clima árido da região, a enorme cesta do período Neolítico Pré-Olaria, tecida em um estilo único com material vegetal, foi preservada inteira. “Pelo que sabemos, esta é a cesta mais antiga do mundo que foi encontrada completamente intacta e sua importância é, portanto, imensa”, disse a AAI.

Infelizmente, não tinha nada dentro da cesta. “Somente pesquisas futuras de uma pequena quantidade de solo remanescente dentro dela nos ajudarão a descobrir para que foi usada e o que foi colocado nela”, disse a AAI.

Trabalho de conservação na cesta nos laboratórios da Autoridade de Antiguidades de Israel – Créditos: Yaniv Berman, Autoridade de Antiguidades de Israel.

Criança Mumificada

Há cerca de 6.000 anos, um pai ou mãe cobriu sua criança com um cobertor para seu sono eterno. O esqueleto completo está sendo pesquisado por Ronit Lupu da AAI e pela Dra. Hila May, da Escola de Medicina da Universidade de Tel Aviv, que estima que a criança tinha entre 6 e 12 anos de idade, com base em uma tomografia computadorizada.

Esqueleto de 6.000 anos de uma criança que foi enterrada embrulhada em um pano – Créditos: Emil Aladjem, Autoridade de Antiguidades de Israel.

Coincidentemente, a criança embrulhada em pano foi descoberta na Caverna do Horror. De acordo com a pré-historiadora Lupu, depois de mover duas pedras chatas, a equipe descobriu que um poço raso foi intencionalmente cavado sob as pedras que seguravam o esqueleto da criança, que foi colocada em posição fetal e coberta com um pano em volta da cabeça e do peito.

A pré-historiadora Ronit Lupu na operação no deserto – Créditos: Yoli Schwartz, Autoridade de Antiguidades de Israel.

“Era óbvio que quem enterrou a criança a envolveu e empurrou as pontas do pano por baixo dela, assim como um pai cobre seu filho com um cobertor. Uma pequena parte do tecido estava nas mãos da criança”, disse Lupu. Devido às condições áridas da caverna, a criança foi naturalmente mumificada. O tecido e outros materiais orgânicos, incluindo cabelo e até mesmo pele e tendões, foram preservados da mesma forma.

Provisões de Bar Kochba

Raras provisões do período Bar Kochba – Créditos: Dafna Gazit, Autoridade de Antiguidades de Israel.

Várias das cavernas ofereciam achados aleatórios, deixados para trás por rebeldes Judeus que fugiram para as cavernas no final da Revolta de Bar Kochba, incluindo uma série de moedas que continham símbolos de rebeldes Judeus, como uma harpa e uma tamareira, assim como também uma variedade de pontas de flechas e pontas de lança, pedaços de tecido, sandálias e pentes para piolhos, que ilustravam os itens do cotidiano levados pelos Judeus em fuga.

Ofer Sion, chefe do Departamento de Pesquisas da AAI, disse que “Os altos penhascos de 300-400 metros em uma única queda com esses desfiladeiros enigmáticos que ninguém alcança, eram o refúgio final. E em um período da História humana, as famílias fugiram para as cavernas no Deserto da Judéia, e realmente não sabemos de mais nada.”

Achados das Cavernas: fragmentos de jarros e pontas de flechas de Qumran dos períodos Pré-históricos e Romanos – Créditos: Dafna Gazit, Autoridade de Antiguidades de Israel.

A Arqueóloga Oriah Amichai explicou que as famílias planejaram claramente o que levariam de casa, “quando um dia, quando a guerra acabasse, o que eles poderiam usar para construir uma nova vida. Viemos aqui e reconstruímos a vida daqueles que não sobreviveram no final”, ela completou.

A operação em andamento pretende continuar em busca de vestígios do passado que se conectam com todos os cidadãos Israelenses, independentemente do credo. Conforme enfatizado por Avi Cohen, o CEO do Ministério de Jerusalém e Patrimônio, “Essas descobertas não são apenas importantes para nossa própria herança cultural, mas para a de todo o mundo”.

A Arqueóloga Oriah Amichai segurando parte de uma espécie de tapete antigo do deserto – Créditos: Yoli Schwartz, Autoridade de Antiguidades de Israel.

Matéria traduzida de “‘Bible scroll fragments among dazzling artifacts found in Dead Sea Cave of Horror”, por The Times of Israel (Data: 17/03/2021)

O que você achou do post?

%d blogueiros gostam disto: