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Pedestal de Berlim – A Menção mais Antiga de “Israel”?

A Estela de Merneptah, também conhecida como Estela de Israel, é bem conhecida por conter a menção mais antiga da palavra “Israel” (cerca de 1207 a.C.). Mas, na verdade, isso não é totalmente preciso.

A Estela de Merneptah é o artefato mais antigo INDISCUTÍVEL que contém a palavra Israel.

Existe outra peça que pode datar até dois Séculos antes. Porém, esta é fragmentária e ainda é tecnicamente classificada como “disputada”.

Na matéria de hoje, traduzida do artigo do website Watch Jerusalem, vamos examinar o artefato fascinante que pretende “derrubar” a tão famosa Estela de Merneptah do seu “trono”: O Pedestal de Berlim.

Um Abutre “difícil de pegar”

O Pedestal de Berlim é uma inscrição na pedra, adquirida pelo Egiptólogo Ludwig Borchardt de um comerciante Egípcio em 1913. A peça, com cerca de 40 cm x 45 cm, provavelmente fazia parte de uma base de pedestal.

Embora a face inscrita esteja interrompida nas bordas, uma quantidade considerável de imagens está preservada. Três cativos são mostrados, amarrados no pescoço e representados na forma clássica Egípcia da Ásia Ocidental (uma representação geral dos habitantes do Oriente Médio). Cada prisioneiro tem um cartucho correspondente (esse desenho de forma quase oval com escritos), rotulando o país de origem do prisioneiro, em escrita Hieroglífica.

Fragmento de relevo da base da estátua no Museu Egípcio em Berlim. O cartucho com o nome quebrado à direita é o que está em questão – Créditos: Van der Veen, Theis and Görg.

O primeiro cartucho à esquerda claramente diz “Ascalão”, referindo-se à cidade costeira geralmente ocupada pelos Filisteus como parte de sua Pentápolis.

O cartucho do meio diz claramente “Canaã”. Agora, é o cartucho da direita com uma parte quebrada que está em questão. Tem havido debates sobre o que é a letra hieroglífica que falta na parte superior direita do cartucho.

Um dos principais tradutores da placa, o Prof. Manfred Görg, que propôs o nome de Israel, acreditava que fosse um símbolo de um Abutre, devido ao entalhe em forma de bico preservada (Görg concluiu sua pesquisa em 2001).

Desde então, pesquisas adicionais foram feitas, incluindo fotografia especialmente iluminada e digitalização 3D. Isso forneceu evidências quase certas de que esse hieróglifo é de fato um Abutre (junto com o bico, a perna esquerda e a garra também são aparentes, bem como o contorno da barriga).

Isso, então, completa o cartucho com o nome completo. Mas, isso é apenas o começo do debate…

Contorno do Pedestal de Berlim, mostrando uma reconstrução do hieróglifo do abutre. Observe o bico e a garra, bem como a quebra natural em torno do formato do corpo do abutre – Créditos: WJ.

Poderia ser Israel?

Com o design de Abutre, a tradução pura deste cartucho de nome seria: I-3-Š3-I-R.

Este nome é único, não é conhecido, desta forma, em nenhuma lista topográfica. No entanto, há uma complexidade real na grafia egípcia. Os mesmos hieróglifos às vezes podem representar sons totalmente diferentes.

“R” também é usado para representar o som de “L”. Um exemplo moderno é que muitos falantes de Chinês confundem os sons de “R” e “L”, como em Roma, é traduzido por Luoma.

Devido à sua forma na palavra, os hieróglifos finais são melhores traduzidos como um som de “L”, em representação do Hebraico teofórico “El”.

Uma curiosidade: basicamente, Teofórico é todo nome que contém elementos alusivos a algum deus ou divindade.

“3” é uma parada glótica (sem um equivalente em Inglês, idioma original do artigo traduzido) e também pode ser traduzida como “R” ou “L”.

Com base nisso, o Prof. Manfred Görg, bem como os pesquisadores posteriores Dr. Peter van der Veen e Dr. Christoffer Theis, concluíram que o nome hieroglífico é melhor traduzido como: I-3-ŠR-I-L.

O nome, então, se torna claramente evidente como “Israel”.

Uma das provas mais fortes de que esta é a tradução correta e mais lógica, são simplesmente os outros dois nomes no pedestal: Ascalão e Canaã. Ambos os territórios estão na mesma proximidade geral, dentro da Terra Prometida. Assim, Israel é de longe o melhor a se encaixar. E a Estela de Merneptah fornece corroboração adicional para esta leitura. Perto do final desta Estela, lemos o seguinte:

“Canaã está cativa de todas as aflições.
Asquelom é conquistada, Gezer apreendido,
Yanoam tornado inexistente;
Israel está destruído, sem semente (ou sem descendência)”

Aqui temos, sucessivamente, os nomes Canaã, Ascalão e Israel, agrupados devido à proximidade regional, na descrição das conquistas egípcias. Como tal, só faz sentido traduzir o Pedestal de Berlim da mesma maneira.

O peso da evidência apoia a tradução do Pedestal de Berlim como “Israel”. Outras propostas de “rearranjos” da palavra não têm evidências de apoio. Se você é uma pessoa que entende Inglês e quiser ler um artigo com aspectos técnicos mais profundos sobre esta inscrição, feito por Peter van der Veen e Dr. Christoffer Theis, clique aqui.

Mas em que Período?

Como dito no começo da matéria, a Estela de Merneptah é datada de cerca de 1207 a.C. (19ª Dinastia do Egito). A datação do Pedestal de Berlim é difícil de definir, uma vez que não foi descoberto no seu local de origem. Alguns especulam que o pedestal data da mesma época que a Estela de Merneptah, principalmente porque lista os nomes em um estilo semelhante.

Uma dessas teorias é que o Pedestal foi construído na época do reinado de Ramsés II (cerca de 1279-1213 a.C.) e também devido a algumas características iconográficas paralelas potenciais de seu reinado. No entanto, existe outro método, talvez muito mais forte, de datar esse Pedestal: a grafia.

A grafia dos locais do Pedestal de Berlim contém, na verdade, um bom número de diferenças em relação à Estela de Merneptah. Todos os três locais são escritos de forma diferente (esses tipos de diferenças não são incomuns na transliteração hieroglífica de nomes de lugares).

Com base apenas na escrita, o Pedestal de Berlim realmente se assemelha à grafia da 18ª Dinastia, colocando assim o Pedestal dentro de um período de tempo de cerca de 1550-1290 a.C. Mais especificamente, a escrita chega perto de um paralelo àquela do início até a metade da 18ª Dinastia, por volta da época de Amenhotep II e III (cerca de 1427-1351). Se isso estiver correto, então isso coloca o “Israel” do Pedestal de Berlim até 2 Séculos antes do Israel de Merneptah.

Também é possível que os nomes tenham sido inscritos no pedestal durante um período posterior (novamente, mais perto do reinado de Ramsés II), mas que tenham sido copiados de uma lista anterior. Mais uma vez, porém, isso ainda atesta a natureza inicial dos nomes regionais para que eles sejam posteriormente copiados na forma “arcaica”.

O escritor da matéria original em Inglês, Christopher Eames, se inclina para uma criação anterior do Pedestal, talvez por volta de 1300 a.C. ou anterior. Parece incomum para o escriba Egípcio gravar com cuidado formas mais antigas de nomes de lugares no Pedestal da vitória, em vez de usar uma linguagem mais contemporânea.

Será que a datação do Pedestal é mais para o Reino de Ramsés II (na esquerda, cerca de 1279-1213 a.C.) ou mais próximo do Reino de Amenhotep II (na direita, cerca de 1427-1397 a.C.)? – Créditos: Wolfmani2405/The Theban Royal Mummy Project)

Claro, existem aqueles que propõem uma tradução diferente – qualquer tradução – a fim de contornar a aceitação de uma referência anterior ao estabelecimento de Israel dentro de Canaã. Porque, de acordo com eles, Israel não poderia ter existido durante esta época.

Importância

O significado de tal inscrição é imediatamente claro. A Estela de Merneptah já representa um problema suficiente para os estudiosos que defendem um Êxodo tardio e o estabelecimento tardio de Israel na Terra de Canaã. O Pedestal de Berlim ajuda a fornecer evidências do estabelecimento de Israel na terra há décadas – senão séculos – antes.

De acordo com a Cronologia Bíblica, a entrada de Israel em Canaã teria ocorrido em cerca de 1406 a.C. O Pedestal de Berlim, bem como a Estela de Merneptah, ambos se encaixam bem com esta data, mostrando um estabelecimento Israelita antigo na Terra Prometida.

A opinião científica geral, no entanto, é que a entrada de Israel na Terra não ocorreu até o ano 1200 a.C. Isso se deve principalmente à descoberta de várias cidades destruídas durante esse período, bem como à evidência de uma mudança cultural na região. (Essa destruição na verdade corresponde ao relato Bíblico dos Juízes, que cobre este período. A teoria também ignora evidências de incêndio violento nos Séculos XV e XIV a.C., na época do Êxodo Bíblico. Além disso, a Bíblia realmente fornece evidências de que a mudança cultural completa na região não ocorreu até mais tarde, por exemplo, em Deuteronômio 6: 10-12.)

“O Senhor, o seu Deus, os conduzirá à terra que jurou aos seus antepassados, Abraão, Isaque e Jacó, que daria a vocês, terra com grandes e boas cidades que vocês não construíram, com casas cheias de tudo que há de melhor, de coisas que vocês não produziram, com cisternas que vocês não cavaram, com vinhas e oliveiras que não plantaram. Quando isso acontecer, e vocês comerem e ficarem satisfeitos, tenham cuidado! Não esqueçam o Senhor que os tirou do Egito, da terra da escravidão.” Deuteronômio 6:10-12 (NVI)

Outros ainda dizem que não houve Êxodo, mas apenas uma “revolta” igualmente tardia de dentro de Canaã, uma espécie de “Revolução Francesa”, na qual os Cananeus da classe trabalhadora se levantaram para derrubar seus senhores “burgueses” e criar nova e gloriosa história fictícia para si próprios, agora se autodenominando “Israel”.

A Estela de Merneptah fornece evidências contraditórias. Mostra que por volta do Século XIII a.C., Israel já era uma nação bem estabelecida no Oriente, a fim de ser mencionado na Estela. Na verdade, Israel deve ter sido uma nação facilmente reconhecível e familiar para ser mencionada dessa maneira.

O Pedestal de Berlim mostra evidências do estabelecimento de Israel na terra, talvez um ou dois Séculos antes. O Pedestal de Berlim mostra evidências do estabelecimento de Israel na terra, talvez um ou dois séculos antes. Além disso, a identificação de Ascalão como uma entidade separada de Canaã indica a presença de um povo diferente (os Filisteus) vivendo lá.

Isso é importante, porque os Filisteus são geralmente considerados pelos estudiosos como tendo se mudado para Canaã durante os anos de 1200 a.C. A Bíblia, porém, mostra que os Filisteus viviam na terra desde a época de Abraão.

Além disso, tanto esse artefato quanto a Estela de Merneptah provam que os cananeus ainda eram uma entidade separada e significativa na Terra Santa, antes da virada do milênio.

Alguns confundem o relato Bíblico, pensando que os Israelitas exterminaram completamente os Cananeus. Na verdade, a própria Bíblia afirma que exatamente o oposto é verdadeiro. Em Josué 13:3 afirma que porções da Terra Prometida eram detidas por Israelitas, por Asquelonitas e por Cananeus – os três povos exatos diretamente paralelos nesses artefatos!

“Esta é a terra que resta: todas as regiões dos filisteus e dos gesuritas; desde o rio Sior, próximo ao Egito, até o território de Ecrom, ao norte, todo esse território considerado cananeu. Abrange a região dos aveus, isto é, dos cinco chefes filisteus, governantes de Gaza, de Asdode, de Ascalom, de Gate e de Ecrom.” Josué 13:2-3 (NVI)

Matéria traduzida de “‘Berlin Pedestal—Earliest Mention of ‘Israel’?”, por Christopher Eames – Watch Jerusalem (Data: 06/04/2021)

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